PBT (peso bruto total) é o peso máximo que o caminhão pode ter carregado: a tara mais a lotação. PBTC é o mesmo limite para a combinação de cavalo e semirreboque ou reboque, e CMT (capacidade máxima de tração) é o máximo que o cavalo consegue puxar. Na fiscalização vale o menor entre o limite da lei, o do fabricante e a CMT.
As definições estão no art. 3º da Resolução CONTRAN nº 882/2021, a mesma que fixa os limites de cada configuração. As tolerâncias e quem paga a multa estão no guia da Lei da Balança. Este artigo trata dos números do veículo: o que cada sigla quer dizer, qual delas manda e onde encontrar cada uma.
As siglas do peso
- Tara: o peso do veículo vazio, já com carroceria, combustível, estepe, ferramentas e extintor.
- Lotação: a carga útil máxima, incluindo motorista e passageiros.
- PBT (peso bruto total): tara mais lotação, o máximo que o veículo transmite ao pavimento.
- PBTC (peso bruto total combinado): o mesmo, para cavalo mais semirreboque ou caminhão mais reboque.
- CMT (capacidade máxima de tração): o peso máximo que a unidade tratora consegue puxar, definido pelo fabricante.
Na prática, PBT é a sigla do caminhão que carrega sozinho (toco, truck), e PBTC é a da combinação (carreta, bitrem, rodotrem). A CMT só aparece no veículo que puxa outro, e é característica do cavalo: não muda com o semirreboque que ele engata.
Tara mais lotação igual a PBT
A conta que o motorista e o expedidor fazem todo dia é a da lotação: lotação = PBT − tara. Um truck com PBT de 23 t e tara de 9 t tem 14 t de lotação.
O detalhe que a definição deixa claro, e que quase ninguém desconta: a lotação inclui o motorista e os passageiros. As 14 t do exemplo não são 14 t de carga, são 14 t de carga, motorista e ajudante. Numa carga que sai no limite, o peso de quem está na cabine é o que separa a carga regular da autuação.
A tara também muda com o que se instala no caminhão. Guindaste, tanque suplementar, compressor ou eixo adicional aumentam a tara, e a resolução exige nova inscrição com a tara corrigida (art. 46, § 2º). Com a tara maior, a lotação diminui na mesma medida.
Qual limite vale
Um mesmo caminhão tem até três limites de peso ao mesmo tempo:
- O limite legal, fixado pela Resolução 882 para aquela configuração de eixos.
- O limite técnico, o PBT ou PBTC que o fabricante informa.
- A CMT do cavalo, quando há combinação.
O parágrafo único do art. 2º resolve o conflito: vale o menor deles, chamado de limite regulamentar. É sobre ele que a fiscalização trabalha.
O caso que mais pega é o do diagrama: cavalo com CMT abaixo do PBTC que a lei permite para a carreta. Acontece quando uma transportadora engata num semirreboque de três eixos um cavalo comprado para outra operação. A carreta está dentro do limite legal e o conjunto está acima da CMT, o que já é irregular pelo art. 2º.
Quanto cada caminhão pode pesar
O limite legal de cada configuração é a soma dos limites dos seus eixos (6 t no eixo dianteiro simples, 10 t no eixo isolado de rodado duplo, 17 t no tandem duplo, 25,5 t no tandem triplo de semirreboque), dentro dos tetos do art. 6º da Resolução 882:
| Configuração | Eixos | Limite legal |
|---|---|---|
| Toco | 2 (6 + 10) | 16 t |
| Truck | 3 (6 + 17) | 23 t |
| Caminhão de 4 eixos, dois direcionais | 4 (12 + 17) | 29 t |
| Carreta 4x2 com semirreboque de 2 eixos | 4 (6 + 10 + 17) | 33 t |
| Carreta 4x2 com semirreboque de 3 eixos | 5 (6 + 10 + 25,5) | 41,5 t |
| Carreta 6x4 com semirreboque de 3 eixos | 6 (6 + 17 + 25,5) | 48,5 t |
| Bitrem de 7 eixos | 7 (6 + 17 + 17 + 17) | 57 t |
| Bitrem ou rodotrem de 9 eixos | 9 | 74 t, só com AET |
Três observações sobre a tabela:
- São limites legais, não o limite do seu caminhão. Se o fabricante ou a CMT informam menos, vale o número menor.
- O bitrem de 57 t precisa cumprir os requisitos da alínea j do art. 6º: até 7 eixos, entre 17,5 m e 19,8 m de comprimento, cavalo como unidade tratora, freios conjugados e engate reforçado.
- Acima de 57 t, as combinações com mais de duas unidades só circulam com Autorização Especial de Trânsito (AET), até 74 t (arts. 17 e 18).
"Quantas toneladas carrega um bitrem" tem, portanto, duas respostas. O conjunto pode pesar até 57 t. A carga que cabe nele é esse número menos a tara do cavalo e dos dois semirreboques, e a tara varia de um conjunto para outro. Está na plaqueta de cada unidade.
Onde encontrar os números
Os pesos não ficam só no documento. O Anexo VI da Resolução 882 obriga o fabricante a gravar no veículo, em plaqueta ou etiqueta resistente, tara, lotação, PBT, peso por eixo e CMT. O lugar muda conforme o veículo:
- No caminhão e no cavalo: na coluna ou na borda de uma das portas, na parte de baixo do assento voltada para a porta, na face interna da porta ou no painel de instrumentos.
- No reboque e no semirreboque: na parte externa da carroceria, na lateral dianteira.
Desde 1º de julho de 2022, a inscrição do peso por eixo também é obrigatória (art. 63). Veículo que roda sem as inscrições está sujeito a autuação própria, independente de estar ou não com excesso de peso.
Quem monta carroceria ou implemento sobre o chassi complementa as informações do fabricante com a tara e a lotação novas, em campo separado. Por isso o caminhão pode trazer dois conjuntos de números: os do chassi e os do implemento. Para saber a lotação real, use os do implemento, que já consideram o peso da carroceria.
Do papel para a balança
A plaqueta diz quanto o caminhão pode pesar. Quanto ele está pesando, só a balança mostra. E a diferença entre os dois costuma aparecer nos mesmos lugares:
- Carga de densidade variável: agregado molhado, grão úmido, minério com umidade acima do previsto. O volume é o mesmo e o peso não.
- Carga mal distribuída: o total cabe no PBTC e um eixo passa do limite. Acima de 50 t, isso já é motivo de autuação por eixo.
- Tara desatualizada: implemento instalado depois e plaqueta nunca corrigida.
A lei tolera 5% sobre o PBT ou PBTC e 12,5% por eixo. As regras, as faixas de multa e o passo a passo da pesagem por eixo estão em balança de sapata para caminhão. Onde não existe balança fixa, a balança rodoviária móvel pesa eixo por eixo no ponto de carregamento, com leitura de cada eixo e do total.
Quando a balança móvel não é a resposta
- Se a dúvida é só o limite do veículo. O limite está na plaqueta e na tabela acima. Para saber quanto o caminhão pode levar, basta ler a plaqueta, não precisa pesar.
- Se o problema é a CMT. Cavalo fraco para a carreta não se resolve pesando melhor. Se resolve trocando o cavalo ou reduzindo a carga para caber na CMT.
- Se a composição passa de 57 t. Acima disso a questão é a AET, e nenhuma balança substitui a autorização.
Perguntas frequentes
O que é PBT de caminhão?
É o peso bruto total: o peso máximo que o caminhão pode transmitir ao pavimento, somando a tara (veículo vazio) e a lotação (carga, motorista e passageiros). A definição está no art. 3º da Resolução CONTRAN 882/2021.
Qual a diferença entre PBT e PBTC?
PBT é o limite de um veículo sozinho, como toco e truck. PBTC é o limite da combinação: cavalo mais semirreboque, ou caminhão mais reboque.
O que é CMT?
Capacidade máxima de tração: o peso máximo que o cavalo ou caminhão consegue puxar, informado pelo fabricante. Se a CMT for menor que o PBTC permitido para a combinação, vale a CMT.
Quantas toneladas carrega um bitrem?
O bitrem de 7 eixos pode pesar até 57 t no conjunto, cumpridos os requisitos do art. 6º da Resolução 882. A carga útil é esse valor menos a tara do cavalo e dos dois semirreboques. Composições de 9 eixos chegam a 74 t, só com AET.
O peso do motorista conta na lotação?
Conta. Pela Resolução 882, a lotação é a carga útil máxima incluindo condutor e passageiros.
Onde fica a plaqueta com os pesos do caminhão?
No caminhão, na coluna ou na borda de uma porta, embaixo do assento, na face interna da porta ou no painel. No semirreboque, na lateral dianteira externa da carroceria.
Precisa pesar caminhão fora da balança fixa?
A balança rodoviária móvel da Revlo pesa eixo por eixo onde o caminhão estiver, pátio, mina, lavoura ou fiscalização em via, sem obra civil.
