A quadra poliesportiva tem um problema que a quadra de modalidade única não tem: ela precisa atender três jogos diferentes com uma instalação só. Futsal, vôlei e basquete acontecem no mesmo piso, mas exigem coisas distintas da iluminação — e a diferença não está no nível de lux, está na direção do olhar.
O problema específico da quadra poliesportiva
A quadra poliesportiva padrão mede 30 × 15 m, dimensão do futsal e do handebol. Dentro dela cabem a quadra de basquete (28 × 15 m) e a de vôlei (18 × 9 m), com as marcações sobrepostas no mesmo piso.
Um único projeto de iluminação precisa servir aos três. E o erro clássico é dimensionar pela modalidade mais praticada, descobrindo depois que ela não era a mais exigente.
Cada modalidade olha para um lugar diferente
| Modalidade | Onde a bola fica | O que isso exige |
|---|---|---|
| Futsal | Predominantemente rasteira, no piso | Iluminância no plano horizontal e ausência de sombra dura no piso |
| Basquete | Meia altura e no aro, a 3,05 m | Luz no plano vertical junto à tabela, sem refletir no vidro nem ofuscar quem arremessa |
| Vôlei | Alta, acima da cabeça | Nenhuma luminária no campo de visão de quem levanta a cabeça — é a modalidade mais sensível a ofuscamento |
O vôlei é quem manda no projeto. Um jogador de vôlei passa boa parte da partida com os olhos acima da linha do horizonte, procurando a bola contra o teto ou contra o céu. Uma luminária mal posicionada some com a bola nesse instante — e nenhum aumento de potência corrige isso.
Dimensione pela mais exigente
A regra é simples e economiza retrabalho: use o maior valor de lux entre as modalidades previstas e a posição de luminária mais restritiva. Para uso recreativo e de treino, 200 lux com uniformidade mínima de 0,50 atende bem o conjunto; para competição de clube, o patamar sobe para 500 lux.
Sobre posição, a regra que resolve os três jogos ao mesmo tempo: luminárias nas laterais, fora da projeção da quadra, e nunca sobre o eixo longitudinal. Luz vinda de cima do meio da quadra é exatamente onde o jogador de vôlei procura a bola.
O método de cálculo completo, com a fórmula, está em cálculo de iluminação de quadras esportivas.
Altura livre: o limite que o teto impõe
Em quadra coberta, a altura da luminária não é uma escolha livre — é o que sobra depois da estrutura do telhado. E isso cria dois problemas encadeados:
- Pé-direito baixo força ângulo raso. Quanto mais baixa a luminária, maior o ângulo entre o facho e o olho do jogador, e maior o ofuscamento.
- Tesoura e terça criam sombra. A estrutura entre a luminária e a quadra projeta sombra que se move conforme o jogador anda. Distribuir mais pontos de luz atenua; concentrar potência piora.
Se o pé-direito é baixo, a saída é mais pontos de luz de menor potência, nas laterais, em vez de poucos potentes no centro.
Marcação sobreposta e contraste
Três jogos no mesmo piso significam três conjuntos de linhas em cores diferentes. Para que o jogador distinga a linha certa em velocidade, a iluminação precisa preservar contraste de cor:
- IRC de 70 ou mais. Abaixo disso as cores das marcações se aproximam e a leitura fica lenta.
- Temperatura de cor entre 4.000 K e 5.700 K. Luz muito amarela achata a diferença entre as linhas; muito azulada cansa a vista em sessão longa.
- Uniformidade. Linha que atravessa uma zona escura desaparece justamente onde o jogador precisa dela.
Coberta ou descoberta muda tudo
| Quadra coberta | Quadra descoberta | |
|---|---|---|
| Altura do ponto de luz | Limitada pelo pé-direito | Livre — use poste alto |
| Fundo de cena | Telhado: a bola alta some contra a estrutura | Céu escuro: contraste melhor |
| Sujeira na lente | Poeira, limpeza espaçada | Chuva ajuda, mas exige IP65 |
| Luz invadindo o entorno | Contida pelo telhado | Precisa de mira para baixo |
| Grau de proteção | IP20 pode bastar | IP65 no mínimo |
Para quadra descoberta em condomínio ou área residencial, o fator decisivo costuma nem ser técnico — está em iluminação para quadras em condomínios.
E se a quadra for temporária, montada para um torneio ou em local sem rede elétrica, a torre de iluminação móvel resolve sem obra: 2.400 W em quatro refletores, mastro de 4 m e 160 kg, reposicionável por duas pessoas.
Perguntas frequentes
Quantos lux para uma quadra poliesportiva?
200 lux para treino e recreação, com uniformidade mínima de 0,50. Para competição de clube, 500 lux com uniformidade de 0,70.
Onde posicionar as luminárias?
Nas laterais, fora da projeção da quadra, nunca sobre o eixo longitudinal. É a posição que atende futsal, basquete e vôlei ao mesmo tempo, porque tira a luminária do campo de visão de quem olha para cima.
Qual modalidade deve mandar no projeto?
O vôlei, por ser a mais sensível a ofuscamento, e a que tiver o maior requisito de lux entre as previstas.
Quantos refletores em uma quadra de 30 × 15 m?
Para 200 lux com escape, o cálculo dá cerca de 323.000 lúmens totais — algo como doze refletores de 200 W ou oito de 300 W, distribuídos nas laterais.
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